Colégio Waldorf Micael

São Paulo, Brasil, 2008

A idéia

Toda a proposta, como princípio fundamental, buscou incorporar elementos e aspectos da filosofia da escola, em uma interpretação livre, mas compromissada, da arquitetura.

A exigüidade do espaço sugerido para a cantina, refeitório e sala de professores, e a ampliação do número de ocupantes da platéia, nos colocou um grande desafio.  Adotou-se como premissa tentar respeitar ao máximo a organização atual do colégio, tanto física quanto sensível, mas sem se furtar da responsabilidade de propor algo que evidenciasse a nova intervenção.

A proposta apresenta como partido o aproveitamento do relevo do terreno, evitando-se grandes movimentações de terra. A vegetação de porte, os espaços lúdicos, as circulações desejadas, o tanto quanto possível, foram mantidas. Apenas a pequena casinha de madeira de brincar deverá ser realocada.

Assim, um cuidadoso desenho da nova arquibancada foi elaborado. Aproveitou-se a acomodação original, adequando-a às novas necessidades, e propôs-se uma ampliação temporária lateral, com arquibancadas metálicas retráteis. Para se atingir a capacidade desejada, é previsto um mezanino como opção.  A nova cobertura da platéia deveria ter um desenho que se integrasse à do palco, e, fugindo de uma solução banal, alcançasse uma solução simples, mas marcante. Sua estrutura, em ‘árvores’, evidencia o espírito da proposta.

O bloco destinado à cantina, no entorno do auditório, tem acesso em cota desde o pátio do ensino fundamental, evitando-se escadarias para seu grande fluxo de alunos. Desta forma, ele libera suavemente o terreno natural, aproveitado para um jardim que incorpora o recuo obrigatório por lei, evitando-se um ‘corredor’ de fundo. Ali também estarão abrigados os músicos e equipamentos de apoio ao palco. Sobre este conjunto, em sua laje, área de futura ampliação, um jardim é proposto, visto pelos professores e que serve para auxiliar no conforto térmico interno.

Ao fundo da platéia, em continuação ‘sensível’ ao caramanchão, e elevado como um camarote, localizou-se a sala dos professores, guardando-se assim certa reserva, mas completamente integrada ao conjunto. Sob ela, gerou-se um vestíbulo sombreado e aberto, a ser utilizado em dias de apresentações.    

A retirada da atual sala dos professores, aliada a proposição de uma nova solução ao auditório, origina um grande e importante pátio do colégio. Sugerimos que este seja trabalhado com adequações ao relevo e que seu piso seja uma continuidade do atual, possivelmente em tijolos e com a ampliação do número de canteiros e floreiras. Isto exige que a lateral do auditório tenha um tratamento especial. Uma treliça em madeira, tipo muxarabi, com um desenho que se referencia à solução geral foi então proposto.

Quanto à materialidade, dada a dificuldades do terreno, pensou-se para o bloco da cantina e sala dos professores em uma estrutura metálica bastante delgada e leve, dispensando formas, com lajes tipo steel deck, de fácil montagem. As ‘árvores’ que sustentam a cobertura do auditório também seriam metálicas. Para a cobertura, a se estudar conforme a conveniência econômica, levantamos três possibilidades: recobrimentos de ETFE , ou policarbonato, ou telhas industriais isolantes. Um forro de ripas de madeira, como um pergolado, auxiliados pelos muxarabis de madeira nas laterais da platéia, ajustaria a luminosidade e proporcionaria melhor sensação de conforto. Os pisos dos auditórios poderão ser em concreto, enquanto aos ambientes internos a opção seria o cimentado queimado ou granilite.

Imagina-se que bem planejada, a obra se tornaria bastante simples, permitindo a participação ativa da comunidade da escola em alguns serviços.